Chegar aos 50 anos sem planeamento financeiro dedicado à reforma pode, à primeira vista, parecer assustador. A ansiedade é natural: afinal, a idade da reforma aproxima-se e, sem reservas financeiras, surge o receio de não conseguir manter o estilo de vida desejado. Mas há uma boa notícia: nunca é tarde para começar. Com disciplina, escolhas inteligentes e o uso dos instrumentos certos, ainda está a tempo de construir estabilidade financeira para os próximos anos.
Porque ainda compensa começar depois dos 50
Muitas pessoas acreditam que, se não começaram cedo a investir, já não vale a pena. É um mito. Aos 50 anos ainda tem, em média, 15 a 20 anos de vida ativa, tempo suficiente para acumular capital, beneficiar do efeito de capitalização e ver crescer o seu património.
Além disso:
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Nesta fase, muitos encargos familiares começam a diminuir: os filhos tornam-se independentes e o crédito à habitação está quase pago, o que liberta margem no orçamento para começar a investir;
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Pode investir em produtos financeiros alinhados com diferentes objetivos e horizontes temporais;
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Há incentivos fiscais associados a alguns produtos (como os PPRs) que aumentam a eficiência do investimento.
Passo a passo: o que pode fazer já
Nas próximas linhas encontra um roteiro simples para começar hoje: definir um objetivo, escolher as soluções alinhadas com esta fase de vida e começar já a investir no seu futuro. Comecemos pelo essencial.
Inspiraram-se na conhecida regra dos 50/30/20 - que sugere alocar 50% do rendimento para despesas essenciais, 30% para lazer e 20% para poupança e proteção - mas adaptaram-na à sua realidade atual. O resultado foi este:
Passo 1. Respire fundo e defina um objetivo claro
O primeiro passo é saber onde quer chegar. Pergunte a si mesmo: quanto rendimento extra gostaria de ter na reforma e em quantos anos pretende alcançar esse objetivo?
Depois, traduza esse objetivo num investimento mensal que faça sentido no seu orçamento, lembrando que o valor aplicado não fica parado: cresce ao longo do tempo graças ao efeito da capitalização.
Por isso, é fundamental considerar o tempo disponível, a inflação e a rentabilidade média dos investimentos escolhidos. Quanto mais cedo começar, menor será o esforço mensal para chegar ao resultado desejado.
Como fazer já:
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Defina o objetivo em números. Decida quanto rendimento extra quer ter na reforma e em quantos anos precisa de o alcançar;
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Faça contas ao presente. Liste rendimentos, despesas e dívidas para perceber quanto pode investir todos os meses sem comprometer o essencial;
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Dê destino ao que sobra. Não deixe o dinheiro parado na conta à ordem: aplique-o em soluções, como os PPR, que façam o capital crescer;
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Comece já, mesmo com pouco. Valores modestos, quando investidos cedo, multiplicam-se graças ao efeito da capitalização.
Passo 2. Escolha os produtos adequados
Se está a começar mais tarde, precisa de uma base alinhada com o tempo que falta até à reforma. O PPR cumpre esse papel: ajuda a acumular capital, oferece vantagens fiscais e permite, em idade elegível, reembolsos faseados que funcionam como uma “segunda pensão”, dando previsibilidade ao orçamento sem esgotar o capital de uma só vez.
Como fazer já:
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Identifique o PPR certo para si. Considere o tempo que falta até à reforma e a sua tolerância ao risco, respetivamente, um PPR com data definida pode dar mais estabilidade, enquanto um PPR com maior exposição a ações oferece potencial de valorização acrescida, mas com maior volatilidade;
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Planeie os reforços. Programe entregas mensais automáticas e, sempre que possível, faça reforços extra (como parte do subsídio de férias ou de Natal) para aproveitar ao máximo as vantagens fiscais.
Passo 3. Diversifique com inteligência
Começar mais tarde obriga a equilibrar prudência e ambição: não deve assumir riscos excessivos, mas também não pode ficar preso a soluções que não preservam nem aumentam o seu poder de compra.
A solução é diversificar, ou seja, não colocar todos os ovos no mesmo cesto. Uma parte do dinheiro pode estar num PPR, que serve de base e ajuda a construir a reforma. Outra fatia pode ser canalizada para soluções de acordo com o seu perfil de investimento e que respondam a objetivos de curto, médio e longo prazo.
Há, ainda, espaço para produtos como os seguros de capitalização, que além de fazerem o dinheiro crescer, permitem nomear beneficiários e garantir uma transmissão do capital mais simples, direta e sem burocracias.
Como fazer já:
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Defina a base: utilize um PPR como pilar principal, garantindo que o investimento está alinhado com o objetivo “reforma”;
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Crie estabilidade: complemente com outros instrumentos de investimento adequados ao seu perfil (mais conservador ou arrojado), como seguros de capitalização, fundos de investimentos mistos ou obrigações;
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Aposte no crescimento (se fizer sentido para si): acrescente uma parte em soluções com maior potencial de valorização, como fundos de ações, sempre de acordo com a sua tolerância ao risco.
Passo 4. Calendarize reforços e desenhe a “curva de aterragem”
Quem começa mais tarde precisa de duas coisas: entradas disciplinadas e consistentes para acelerar a acumulação e um plano de saída que proteja o capital quando chegar a altura de o usar. Isso faz-se com reforços automáticos e uma curva de aterragem que adapte a sua carteira de investimento ao seu ciclo de vida, nomeadamente à medida que se aproxima da reforma.
Como fazer já:
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Agende as entradas: mantenha transferências mensais automáticas e aplique a regra do dinheiro extra: quando recebe IRS, bónus ou vendas ocasionais deve alocar uma parte desse valor para os seus investimentos;
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Desenhe a curva de aterragem: à medida que o momento de começar a usar o capital se aproxima, vale a pena rever com o seu gestor se a carteira continua adequada ao seu perfil e às necessidades dessa nova fase;
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Planeie as saídas em vez de pedir o reembolso de todo o capital de uma só vez, opte por pagamentos mensais ou faseados, tendo sempre em atenção as condições de reembolso. Assim, garante um complemento regular ao rendimento e mantém parte do dinheiro investido, que continua a gerar rentabilidade enquanto não é utilizado. E lembre-se: se não precisar desse valor de imediato, pode manter o investimento para que continue a crescer.
Erros a evitar (que podem fazer a diferença)
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Adiar “mais um ano”. Cada dia sem investimentos torna a meta mais exigente. Comece já, nem que seja com um valor pequeno;
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Concentrar tudo num único produto. Falta de diversificação aumenta o risco de concentração do capital numa só solução que pode não corresponder a todas necessidades, objetivos e horizontes de investimento;
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Arriscar em excesso. Tentar recuperar o tempo perdido assumindo investimentos demasiado arriscados pode ser perigoso. A volatilidade destes ativos pode obrigar a vender em momentos desfavoráveis e acabar por comprometer todo o plano;
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Ignorar custos e fiscalidade. Comissões elevadas e resgates feitos fora das condições legais (por exemplo, no caso dos PPR) podem reduzir o retorno e anular parte dos benefícios fiscais;
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Optar por soluções de capital garantido. Em muitos casos, o rendimento gerado não é suficiente para preservar o poder de compra;
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Não ter plano de saída. Desinvestir todo o património de uma só vez e deixar, por exemplo, na conta à ordem por tempo indeterminado, para além de eventuais penalizações associadas, elimina o efeito de capitalização e reduz a rentabilidade esperada;
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Não automatizar nem rever. Sem um plano de entregas periódicas automatizado, a consistência e disciplina perdem-se.
Investir para a reforma é possível. Fale com o seu banco, esclareça as suas dúvidas e crie um plano à sua medida.
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Investir acarreta riscos o que pode implicar a perda de parte ou da totalidade do capital investido, pelo que deverá consultar os documentos legais dos produtos, que se encontram disponíveis no site www.bancobpi.pt, antes de tomar qualquer decisão de investimento final.