Na fase que antecede a reforma, há erros que podem ter impacto no futuro: vender imóveis sem avaliar os custos fiscais, resgatar poupanças demasiado cedo, investir sem conhecer o seu perfil de investidor, até, adiar o planeamento sucessório. Ter consciência destas situações é a melhor forma de as evitar e assim permitir que o património possa crescer e seja um verdadeiro aliado do futuro.
5 erros de gestão de património
Pequenos erros de gestão de património podem comprometer o bem-estar financeiro. Saiba como contorná-los.
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Vender imóveis sem avaliar o impacto fiscal
Vender a casa onde se vive para mudar para outro imóvel, como acontece muitas vezes, pode trazer uma surpresa desagradável. O lucro da venda, a mais-valia, é englobado no IRS e tributado em 50% do seu valor. Mesmo assim, o valor a pagar pode pesar bastante na fatura final.
Há, no entanto, formas de evitar este encargo. Se o valor da venda da habitação própria e permanente (HPP) for reinvestido na compra de outro imóvel para HPP e cumpridas determinadas condições, não há lugar a tributação.
Já fora dessa situação, a isenção da tributação só é possível para quem tem mais de 65 anos ou já se encontra reformado (ou cujo cônjuge ou unido de facto se encontre numa dessas condições), desde que o valor seja aplicado num seguro de capitalização, num fundo de pensões aberto, no regime público de capitalização ou no Produto Individual de Poupança Pan-Europeu (PEPP).
Nota: Se usar o dinheiro da venda do imóvel para investir num seguro de capitalização ou aderir a um fundo de pensões, esses produtos financeiros devem obrigatoriamente pagar um rendimento regular, com um valor máximo anual de 7,5% do valor investido, durante, pelo menos, 10 anos.
O que fazer?
Se está a pensar vender a sua casa, comece por calcular o impacto das mais-valias no IRS. Se a intenção for comprar outra habitação própria, garanta que o reinvestimento cumpre as condições e prazos legais para ficar isento de tributação. Já se a ideia não for comprar outra casa própria, e já estiver na reforma ou tiver mais de 65 anos, invista o capital recebido num seguro de capitalização ou em soluções equivalentes. Se ainda não atingiu essa idade nem está reformado, pense duas vezes antes de vender a sua habitação própria e permanente, poderá ser mais vantajoso aguardar algum tempo. Deste modo, evita surpresas fiscais e transforma a venda da casa numa oportunidade para reforçar a sua segurança financeira e preparar a transmissão de património.
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Resgatar o PPR sem pensar na tributação
É comum, perante uma despesa inesperada ou a necessidade de ajudar a família, olhar para o PPR como uma solução rápida. Mas, resgatar estas poupanças antes da altura certa, pode ser um erro de gestão de património difícil de corrigir.
Se investiu num PPR, é importante recordar se beneficiou da dedução no IRS até 20% do montante aplicado, de acordo com as condições em vigor. Caso tenha usufruído desse benefício fiscal à entrada, o resgate antecipado implica devolver ao Estado os incentivos recebidos ao longo dos anos, acrescidos de uma penalização de 10% por cada ano.
Além disso, interrompe o crescimento do capital, abdicando dos juros e rendimentos, que se vão acumulando a longo prazo. No fim, isso traduz-se em menos dinheiro disponível, na fase em que vai mesmo precisar dele: a reforma.
O que fazer?
Ter um fundo de emergência para despesas inesperadas permite responder a imprevistos sem mexer no que está investido a pensar no longo prazo.
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Investir numa só solução
Não diversificar, ou seja, colocar todos os ovos no mesmo cesto não é prudente. Uma parte do dinheiro pode estar num PPR, outra fatia pode ser canalizada para soluções de acordo com o seu perfil de investimento e que respondam a objetivos de curto, médio e longo prazo.
O que fazer?
Consulte o seu gestor para conhecer os produtos e perceber quais se adaptam melhor à sua situação
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Ignorar o planeamento de transmissão de património
Nesta fase, investir também é planear o que acontece ao seu património no futuro, para que continue a salvaguardar o bem-estar da sua família. Ainda assim, muitas pessoas focam-se apenas em fazer crescer o que têm até à reforma, esquecendo que não preparar a transmissão é, em si, um erro de gestão patrimonial.
Adiar estas decisões para depois da reforma pode significar chegar tarde demais para fazer escolhas vantajosas. Planear com tempo é a melhor forma de garantir que o património continua a proteger e a dar estabilidade a quem mais importa.
O que fazer?
Inclua o planeamento da transmissão de património na sua estratégia financeira ainda durante a vida ativa. Soluções como seguros de capitalização com beneficiários designados garantem liquidez e simplicidade no processo de transmissão, ajudando a manter o património organizado, eficiente e fiel às suas vontades.
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Ajudar a família comprometendo os seus investimentos
A vontade de apoiar os filhos na compra de casa, no arranque de um negócio ou até em momentos de dificuldade é natural. Mas, muitas vezes, esse apoio é feito à custa da segurança financeira dos progenitores. Antecipar reembolsos de um PPR, desfazer investimentos de longo prazo ou contrair dívidas para ajudar pode comprometer uma reforma mais tranquila e colocar em risco anos de esforço.
O problema é que, sem um planeamento patrimonial adequado, o gesto de apoio transforma-se numa fragilidade: os filhos recebem ajuda imediata, mas os pais ficam mais expostos a imprevistos e sem margem para garantir a sua própria estabilidade no futuro.
O que fazer?
Defina limites claros e preserve sempre uma parte do património para si. Nesta fase, a gestão de património exige planeamento e equilíbrio entre segurança e rentabilidade.
Evitar erros comuns pode garantir mais tranquilidade no futuro. Fale com o seu banco e descubra as soluções mais adequadas para proteger e valorizar o que conquistou.
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Investir acarreta riscos o que pode implicar a perda de parte ou da totalidade do capital investido, pelo que deverá consultar os documentos legais dos produtos, que se encontram disponíveis no site www.bancobpi.pt, antes de tomar qualquer decisão de investimento final.