No entanto, essa liberdade recém-conquistada pode ser condicionada por um detalhe: o que irá receber de pensão da Segurança Social, que nem sempre é capaz de proporcionar o estilo de vida que construiu. Sem o habitual ordenado mensal, surge a dúvida: como manter o equilíbrio financeiro sem abdicar do que lhe dá prazer?
Neste artigo, exploramos soluções financeiras que ajudam a complementar o rendimento no pós-reforma.
Como manter a estabilidade financeira na reforma
Nesta fase, a estabilidade depende essencialmente de:
-
Gestão equilibrada: Saber quanto gasta, quanto precisa e como organizar os seus investimentos;
-
Fontes de rendimento complementares: Ter soluções que, mesmo sem trabalho ativo, continuam a gerar rendimento.
Soluções financeiras para complementar o rendimento na reforma
Uma das principais preocupações após a reforma é continuar a viver com conforto e tranquilidade.
Para isso, é importante escolher soluções que aliem rendimento, equilíbrio e flexibilidade, de forma a adaptar o património às novas necessidades. Entre as opções mais relevantes, destacam-se:
-
PPR (Planos Poupança Reforma) - são, muitas vezes, a solução mais eficiente para planear a reforma. Permite investir o seu capital com vantagens fiscais e, quando chega o momento de usufruir destes investimentos, oferecem a possibilidade de reembolso em condições favoráveis. A grande vantagem é a flexibilidade: pode optar por receber o valor total, programar prestações regulares que funcionam como uma “segunda pensão” ou até ajustar os reembolsos conforme novas necessidades.
-
Seguros de capitalização - permitem acumular capital com rentabilidade e são interessantes para quem quer planeamento de transmissão de património em caso de falecimento. Isto porque possibilitam a designação de beneficiários e garantem que o montante acumulado é entregue diretamente a quem escolher. Também podem ser mobilizados em momentos estratégicos, funcionando como reserva financeira para despesas inesperadas ou projetos maiores durante a reforma.
-
Fundos de investimento - são indicados para quem procura investir o seu dinheiro de forma diversificada e com gestão profissional. Podem incluir diferentes tipos de ativos, como ações e obrigações, e adaptam-se a vários perfis de investidor e objetivos financeiros.
Estas soluções funcionam melhor quando combinadas. Imagine, por exemplo, que utiliza o PPR como segunda pensão, mantém um seguro de capitalização destinado a apoiar os filhos no futuro e investe parte do seu património num fundo de investimento para continuar a fazer o dinheiro crescer. Assim, consegue equilibrar consistência, flexibilidade e rentabilidade.
Usar os PPR de forma faseada: vantagens e cuidados
Se acumulou capital num PPR ao longo dos anos, a fase de reforma é o momento de o utilizar com inteligência. E isso não significa resgatar tudo de uma vez.
Pelo contrário, usar o PPR de forma faseada, como uma espécie de “segunda pensão”, pode trazer estabilidade e benefícios fiscais.
Vantagens de usar o PPR faseadamente:
-
Rendimento complementar mensal: pode programar reembolsos mensais que reforcem a sua pensão atual e ajudem a manter o estilo de vida.
-
Regime fiscal favorável: no momento do reembolso, e desde que seja dentro das condições previstas por lei, a taxa de retenção na fonte pode descer para apenas 8% - ou mesmo para 4% no caso de reembolsos de entregas feitas antes de 2006;
-
Investimento pode continuar a render: ao reembolsar apenas uma parte do PPR, o valor que permanece investido poderá continuar a trabalhar para si. Assim, mesmo durante os reembolsos, o capital restante poderá manter-se a gerar rendimento.
Cuidados a ter:
-
Evite pedir o reembolso do valor de uma só vez, a menos que tenha um objetivo claro e urgente, como pagar um tratamento ou apoiar um familiar;
-
Garanta que os reembolsos estão alinhados com o orçamento familiar na altura da reforma. Assim, o PPR funciona como uma segunda pensão e ajuda a manter a estabilidade financeira;
-
Compare as condições se tiver mais do que um PPR: pode optar por pedir o reembolso daquele com menos rendibilidade ou com piores condições atuais.
Transformar um hobby ou conhecimento acumulado em rendimento extra
A reforma é também o momento ideal para dar uso ao conhecimento acumulado e ao que mais gosta de fazer. Ao longo dos anos, acumulou competências profissionais, mas também hobbies e talentos pessoais que podem transformar-se numa fonte de rendimento complementar.
Alguns caminhos possíveis:
-
Consultoria e mentoria. Se trabalhou décadas numa área, pode partilhar o seu know-how com pequenas empresas, empreendedores ou jovens profissionais. Pode ser algo pontual, feito ao seu ritmo, sem compromissos de longo prazo.
-
Ensino e formação. As suas competências podem ser passadas a outros. Dar aulas de música, explicações de matemática, ensinar idiomas ou até organizar workshops de cozinha, bricolage, jardinagem ou costura.
-
Escrever e criar conteúdos. Gosta de escrever? Pode transformar memórias, histórias de vida ou conhecimentos técnicos em artigos, livros ou e-books. Também pode colaborar na revisão ou edição de trabalhos académicos.
-
Artesanato e trabalhos manuais. Se tem paixão por costura, pintura, cerâmica ou bijuteria, pode vender as suas criações em feiras locais ou plataformas online. Além do retorno financeiro, é uma forma de manter-se criativo e em contacto com novas pessoas.
-
Serviços ocasionais. Um hobby como cuidar de animais pode dar origem a serviços de pet sitting ou passeios de cães; quem gosta de cozinhar pode preparar refeições para vender na comunidade; quem tem jeito para organização pode ajudar outros a arrumar a casa.
No fundo, a ideia não é regressar ao trabalho, mas usar o tempo para encontrar atividades que dão prazer e, ao mesmo tempo, tragam um rendimento extra.
A reforma pode (e deve) ser vista como uma nova fase da vida. Com um plano que combine produtos de investimento, uma gestão equilibrada do património e, se fizer sentido, novas formas de rendimento que resultem dos conhecimentos e da experiência por si adquiridos, pode viver esta fase com maior tranquilidade.
Os conteúdos disponibilizados não dispensam a consulta da respetiva informação legal, não consubstanciando qualquer aconselhamento ou recomendação de investimento. O Banco BPI não assume responsabilidade por perdas ou danos resultantes da utilização ou interpretação dos conteúdos.
Investir acarreta riscos o que pode implicar a perda de parte ou da totalidade do capital investido, pelo que deverá consultar os documentos legais dos produtos, que se encontram disponíveis no site www.bancobpi.pt, antes de tomar qualquer decisão de investimento final.