A inflação sente-se em quase tudo o que nos rodeia - na conta da eletricidade, no preço dos combustíveis, nas compras do mês e até no pequeno-almoço. Mas afinal, o que é a inflação?
Parece discreta, mas é um verdadeiro inimigo silencioso das finanças pessoais: atua todos os dias, corroendo o poder de compra. Contornar este efeito exige consciência e ação, começando por compreender como funciona e como investir para proteger o valor do dinheiro.
O que é a inflação?
A inflação é o aumento generalizado e sustentado dos preços de bens e serviços ao longo do tempo. Segundo o Banco de Portugal, “existe inflação quando os preços dos bens (como a alimentação ou o vestuário) e serviços (como os transportes ou as comunicações) que as famílias adquirem aumentam - e esse aumento é geral e persistente”.
Por exemplo: se o preço do café aumenta de 1€ para 1,10€, isso representa uma subida de 10%. Parece um valor pequeno, mas somado ao aumento do pão, da eletricidade, do transporte e de outros bens essenciais, o resultado é o encarecimento geral do custo de vida e a redução do poder de compra.
Porque é importante manter a inflação sob controlo
A inflação afeta todos porque, à medida que os preços sobem, o dinheiro perde valor - precisamos de mais euros para comprar o mesmo conjunto de bens e serviços.
Quando a inflação está demasiado alta, instala-se a incerteza. As famílias têm mais dificuldade em planear despesas e poupanças, e as empresas enfrentam custos menos previsíveis, o que pode travar decisões de investimento e acabar por abrandar a atividade económica.
Mas uma inflação demasiado baixa também é prejudicial. Quando as famílias e as empresas acreditam que tudo poderá ficar mais barato no futuro, tendem a adiar compras e investimentos. Essa espera reduz a procura, o que pressiona os preços a descer ainda mais. Se este movimento se prolongar, pode desencadear uma espiral de deflação: menos consumo, menos investimento e uma economia que tem mais dificuldade em recuperar.
Por isso, o ideal é manter um nível estável de preços. Na Zona Euro, cabe ao Banco Central Europeu (BCE) garantir essa estabilidade, procurando manter, a médio prazo, a inflação ligeiramente abaixo dos 2%.
Quais as causas da inflação?
A inflação pode resultar de vários fatores, muitas vezes combinados entre si:
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Excesso de procura: quando há mais pessoas e empresas a querer comprar do que bens disponíveis, os preços tendem a subir;
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Aumento dos custos de produção: matérias-primas, energia ou salários mais elevados acabam por refletir-se nos preços finais;
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Inflação inercial: acontece quando preços e salários são atualizados com base em aumentos anteriores, fazendo com que a inflação se repita ao longo do tempo;
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Políticas expansionistas: quando o Estado aumenta significativamente a despesa pública ou o crédito é facilitado, a procura cresce e o resultado é uma maior pressão sobre os preços.
Como a inflação afeta os investimentos
A inflação tem um impacto direto nas poupanças e nos investimentos, porque reduz o valor real dos rendimentos.
Se um investimento rende 4% num ano em que a inflação é 3%, o ganho real é apenas de 1%. Mas se a inflação for superior ao rendimento, o investidor pode perder poder de compra, mesmo que veja o saldo crescer.
Além disso:
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Quando a inflação sobe, o Banco Central Europeu tende a aumentar as taxas de juro para tentar travar a subida dos preços. Com juros mais altos, o crédito fica mais caro e o consumo abranda, o que ajuda a controlar a inflação. Mas há um efeito secundário: os investimentos antigos com juros fixos, como depósitos e obrigações, perdem valor, porque passam a render menos do que as novas aplicações;
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Nem todos os investimentos reagem da mesma forma à inflação. Alguns conseguem adaptar-se melhor a contextos de subida de preços, enquanto outros podem ser mais sensíveis às variações das taxas de juro. A forma como cada solução responde, depende de vários fatores, pelo que é importante considerar o contexto económico e o perfil de risco antes de decidir.
Nota: O dinheiro guardado numa conta à ordem não perde o seu valor nominal, mas desvaloriza em termos reais, ou seja, com o tempo compra menos, devido ao efeito da inflação. * O presente exemplo é meramente ilustrativo e não constitui garantia de resultados futuros. O exemplo apresentado baseia-se nas rentabilidades históricas a 20 ou 15 anos de um compósito de 2 índices globais, 30% de um índice global de ações e 70% de um índice global de obrigações.
Medidas para combater a inflação e proteger o poder de compra
Eis algumas estratégias que podem ajudar a preservar e aumentar o valor do seu dinheiro:
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Investir em produtos com potencial de rentabilidade acima da inflação, geridos por profissionais e com exposição a mercados financeiros diversificados;
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Diversificar os investimentos para reduzir o impacto das oscilações do mercado. Ao combinar diferentes tipos de ativos pode tornar a carteira mais estável ao longo do tempo;
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Investir de forma regular, mesmo que com quantias pequenas, permite beneficiar do efeito de capitalização, em que os rendimentos podem gerar novos rendimentos e fazer o dinheiro crescer ao longo do tempo;
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Evitar manter na conta à ordem o dinheiro de que não precisa para as despesas do dia a dia. Quando não está a gerar rendimento, esse valor perde poder de compra ao longo do tempo.
Qual o melhor investimento para se proteger da inflação
Não existe uma solução única, mas há opções mais eficazes. Produtos como fundos de investimento, seguros de capitalização e PPR permitem ajustar o nível de risco e de exposição a mercados com maior potencial de rentabilidade, o que pode ajudar a manter o poder de compra ao longo dos anos.
A melhor escolha depende dos seus objetivos. O importante é garantir que o seu dinheiro está a trabalhar por si, e não parado a perder valor.
Ter o dinheiro parado é o verdadeiro risco
A inflação é inevitável, mas as perdas não têm de o ser. Compreender este conceito, agir de forma estratégica e escolher investimentos com potencial de rentabilidade acima da inflação são passos decisivos para preservar o seu poder de compra.
Em vez de deixar o dinheiro “adormecido” na conta à ordem, coloque-o a crescer. Porque o tempo e a disciplina são as armas mais fortes contra este inimigo silencioso.
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Referências bibliográficas
Banco de Portugal. Inflação: o que é? Cliente Bancário. Disponível em:
Banco Central Europeu. O que é a inflação? Disponível em:
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