Educar um filho é uma maratona financeira com várias etapas. Primeiro chegam as fraldas, as creches e as atividades, depois as explicações, a tecnologia e o desporto. E as despesas não terminam com o diploma universitário - que, por si só, já representa um investimento significativo. Apoiar na entrada para a primeira casa ou num projeto próprio são novas metas que exigem planeamento e recursos.
Começar a investir cedo poderá ser o primeiro passo para facilitar esse caminho. Um PPR poderá permitir acumular capital ao longo dos anos, com benefícios fiscais, e dar aos filhos mais oportunidades para concretizar os seus projetos.
Preparar o futuro começa na educação
De acordo com o EUROSTUDENT VIII (CIES-ISCTE/DGES), os estudantes do ensino superior em Portugal gastam, em média, cerca de 903,9€ por mês com as despesas associadas à vida académica. Para perceber onde estão esses custos, vale a pena olhar para as principais rubricas identificadas no estudo.
Tipo de despesa
Valor médio mensal
Valor médio (5 anos)
Despesa mensal total
903,9€
54.234€
Habitação
303€
18.180€
Alimentação
114€
6.840€
Transportes
62€
3.720€
Comunicações
24€
1.440€
Saúde
14€
840€
Atividades sociais e lazer
16€
960€
Materiais de estudo
16€
960€
Propinas
106€
6.360€
Nota: O valor da despesa mensal total resulta de uma estimativa global das despesas declaradas pelos estudantes no EUROSTUDENT VIII (CIES-ISCTE/DGES, 2024). Os valores por rubrica são indicativos e não correspondem à soma exata desse total, uma vez que provêm de diferentes quadros do estudo e refletem formas distintas de pagamento.
Então, porquê um PPR para preparar o futuro dos filhos?
Um PPR iniciado na infância do seu filho pode funcionar como um fundo dedicado à educação e ao futuro dos filhos. Alguns dos principais benefícios dos PPR são:
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Planeamento a longo prazo. Pode revelar-se uma boa forma de ajudar a preparar momentos importantes, como os estudos, a compra de uma primeira casa ou a abertura de um negócio;
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Disciplina e consistência no valor que pretende investir. Promovem o hábito de investir regularmente, mesmo com valores baixos;
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Tempo e capitalização. Num PPR, os rendimentos gerados são automaticamente reinvestidos, criando o efeito da capitalização composta, ou seja, caso existam ganhos, estes, produzem novos ganhos, fazendo o montante crescer de forma consistente ao longo dos anos;
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Flexibilidade. Em caso de emergência, os pais podem levantar o valor necessário. O reembolso fora das condições fica sujeito às respetivas penalizações. No entanto, não há penalizações quando o levantamento é feito dentro das condições legalmente previstas ou se não optaram pelo benefício fiscal à entrada;
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Vantagens fiscais. As taxas de tributação dos PPR são mais atrativas do que outros veículos de investimento no mercado, o que aumenta o retorno líquido.
Em que nome deve ficar o PPR?
É possível subscrever um PPR para o seu filho, mesmo que seja menor de idade. Neste caso, o investimento é feito em nome da criança, mas subscrito por um dos pais ou pelo representante legal, que passa a ser o responsável por todas as decisões e contribuições relacionadas com o investimento, desde as entregas até a eventuais reembolsos.
Enquanto o menor não atingir a maioridade, não pode tomar decisões sozinho quanto ao destino do PPR. Cabe aos pais, ou tutores, gerir o investimento, garantir que os reforços são feitos e decidir se e quando o dinheiro deve ser levantado.
O PPR é, legalmente, da criança, mas a sua gestão pertence aos pais até que esta complete 18 anos.
Avós, padrinhos e tios: todos podem contribuir
Como diz o ditado, “é preciso uma aldeia para criar uma criança” e o mesmo se aplica quando o objetivo é ajudar a preparar o seu futuro financeiro.
Prendas em dinheiro, mesadas ocasionais ou apoios pontuais podem ser canalizados para um PPR, ajudando a transformar pequenos contributos numa poupança de longo prazo.
Reembolsos com tributação vantajosa
Embora sejam pensados para o longo prazo, o dinheiro não fica bloqueado. É possível fazer reembolsos, totais ou parciais, a qualquer momento - ainda que, em alguns casos, com penalizações. No caso dos PPR constituídos em nome de menores, o pedido de reembolso deve ser feito pelos pais ou representantes legais.
Quando o resgate é efetuado nas situações previstas pela lei, o montante pode ser utilizado sem penalizações adicionais, sendo aplicada uma tributação de 8% sobre as mais-valias.
Já os reembolsos feitos fora das condições legais continuam a beneficiar de uma tributação mais reduzida do que a aplicável à generalidade dos produtos financeiros (28%):
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21,5% se o investimento for mantido por menos de 5 anos;
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17,2% se for mantido entre 5 e 8 anos;
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8,6% se for mantido durante mais de 8 anos.
Na prática, a lógica é simples: quanto mais tempo o dinheiro permanecer investido, menor será o imposto sobre os rendimentos.
Ainda assim, o mais eficaz é definir um objetivo claro - como financiar a educação universitária ou apoiar o início da vida adulta - e manter o investimento até que o filho atinja a maioridade, tirando partido do tempo para potenciar o crescimento do capital.
Para que não enfrente penalizações, se planeia utilizar o PPR fora das condições legais e ter a flexibilidade de reembolsar a qualquer momento, é relevante não optar pelo benefício fiscal à entrada – caso contrário terá de devolver os benefícios fiscais, com uma penalização adicional.
Fale com o seu gestor BPI para identificar o tipo de PPR mais adequado à sua realidade familiar e aos seus objetivos.
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Investir acarreta riscos o que pode implicar a perda de parte ou da totalidade do capital investido, pelo que deverá consultar os documentos legais dos produtos, que se encontram disponíveis no site www.bancobpi.pt, antes de tomar qualquer decisão de investimento final.