A Tempo

Muitos de nós já passámos por este momento: a satisfação de ver o primeiro salário entrar na conta. Mas, por vezes, essa sensação é agridoce. De um lado, sentimos a liberdade de deixar de depender dos nossos pais ou educadores. Do outro, entramos por águas desconhecidas: a responsabilidade de gerir o próprio dinheiro, fruto do nosso trabalho.

É também o início de uma viagem financeira, que influenciará a forma como vivemos agora e o futuro que queremos construir.

A emoção do primeiro salário vs. o risco de gastar tudos

Depois de anos a estudar e a depender dos pais, é natural querer aproveitar o primeiro ordenado. Marca-se o jantar com os amigos, escolhe-se a peça de roupa desejada e fazem-se planos para aquela escapadinha que é mais do que merecida.

Mas cuidado, há um perigo à espreita: se cada salário for gasto por completo, o futuro fica sempre em segundo plano. O segredo está em viver o momento, mas sem comprometer o amanhã. Esta é, aliás, uma das primeiras lições de educação financeira: perceber que cada decisão de consumo tem impacto no nosso futuro.

Orçamento familiar: a importância da organização

O primeiro passo para uma vida financeira saudável é simples: saber para onde vai o dinheiro. Criar um orçamento mensal é tão elementar quanto necessário. Para um jovem que ainda não tem despesas fixas elevadas - sejam filhos, crédito à habitação ou crédito automóvel, por exemplo -, este é o momento de experimentar gerir o orçamento com liberdade, mas também com disciplina.

Uma abordagem prática é a regra 50/20/30, que divide o rendimento em três blocos:

  • Essenciais (50%): despesas fixas, como renda ou prestação da casa, alimentação ou contas de serviços (água, eletricidade ou internet) e seguros

  • Poupança e investimento (20%): contribuições para um PPR, fundo de emergência, seguros de capitalização ou fundos de investimento;

  • Lazer e estilo de vida (30%): despesas que trazem prazer e bem-estar.

Esta divisão ajuda a manter controlo sobre o dinheiro e evita que o entusiasmo do momento se transforme em ansiedade ou decisões impulsivas.

É importante sublinhar que é uma regra flexível e que pode ser adaptada à sua realidade. Se ainda vive com os pais e as despesas fixas são menores, pode aumentar temporariamente a percentagem dedicada ao investimento. É uma oportunidade única (que pode nunca mais voltará a ter) para reforçar o futuro financeiro, sem abdicar da liberdade. Se, por outro lado, já vive sozinho ou tem outro tipo de despesa essencial que absorva mais de 50% do rendimento disponível, reveja em proporção o montante a alocar à poupança e investimento e ao lazer e estilo de vida. Procure o equilíbrio ao destinar a sua poupança, isto é, não deixe de alocar algum montante à poupança e investimento, para não comprometer o seu futuro, mas também não deixe de reservar algum dinheiro para o lazer que permita aproveitar o seu presente.

Exemplo prático

O João tem 24 anos, começou agora a trabalhar e a receber um ordenado de 1.000€ por mês. Vive em casa dos pais e decidiu começar a organizar o seu dinheiro para preparar o futuro. Optou por seguir a regra 40/30/30, ajustada à sua realidade, aumentando a percentagem dedicada à poupança e ao investimento:

  • 40% para essenciais: 400€ para alimentação, transportes, telemóvel e pequenas contribuições em casa;

  • 30% para poupança e investimento: 300€ para investir, estando a equacionar um PPR (Plano Poupança Reforma), um produto financeiro que ajuda a criar hábito e beneficia de tributação reduzida;

  • 30% para lazer e estilo de vida: 300€ para jantar com amigos, hobbies ou pequenas viagens.

Este exemplo mostra que não é necessário ter um salário elevado para começar a construir um futuro sólido: o mais importante é começar cedo e ser consistente.

Definir objetivos financeiros realistas

Receber o primeiro salário é também o momento ideal para refletir sobre o que realmente quer alcançar com o seu dinheiro. Ter objetivos claros ajuda a manter o foco quando a tentação de gastar aparece. Além disso, permite dar prioridade aos investimentos e poupanças de acordo com cada meta, tornando as decisões mais estratégicas.

    Objetivos de curto prazo (até 1 ano)

  • Destinar um montante para emergências e imprevistos, como despesas médicas, reparações ou períodos de desemprego;

  • Fazer uma viagem nas férias.

    Objetivos de médio prazo (1 a 5 anos)

  • Concretizar um projeto pessoal (tirar um curso ou comprar um automóvel);

  • Aumentar o montante destinado para emergências e imprevistos;

  • Iniciar um negócio em nome próprio.

    Objetivos de longo prazo (mais de 5 anos)

  • Comprar casa;

  • Investir para o futuro dos filhos;

  • Poupar para a reforma.

A importância de destinar um montante para emergências e imprevistos

Independentemente do objetivo traçado, a criação de um montante destinado a emergências e imprevistos deve ser sempre o primeiro passo. Este montante, que deve corresponder entre seis a doze meses de despesas essenciais, funciona como uma reserva de segurança que permite enfrentar despesas inesperadas sem recorrer a crédito.

A diferença entre poupar e investir

Muitos jovens confundem poupar com investir. Mas são coisas diferentes:

  • Poupar é reservar uma parte do rendimento para objetivos de curto ou médio prazo, colocando o dinheiro em aplicações seguras, como depósitos a prazo ou até mantendo num depósito à ordem;

  • Investir é colocar o dinheiro a trabalhar, assumindo algum risco em troca de uma maior rentabilidade ao longo do tempo.

Ambos são essenciais e podem contribuir para um futuro financeiro mais estável e promissor: poupar garante segurança, enquanto investir possibilita que o tempo e os juros compostos trabalhem para si, permitindo o crescimento do património ao longo do tempo.

Como investir o primeiro salário

Quanto mais cedo começar a investir, maior será o efeito dos juros compostos. Mesmo pequenos valores, entre 25 ou 50 euros por mês, podem resultar em montantes significativos ao longo dos anos.

E há produtos pensados exatamente para quem está a dar os primeiros passos, como os PPR. Além de permitirem investir de forma disciplinada, têm tributação reduzida sobre os rendimentos se forem mantidos por vários anos, o que os torna especialmente interessantes para quem começa a trabalhar e quer construir o futuro com tempo e consistência.

  • Poupar é reservar uma parte do rendimento para objetivos de curto ou médio prazo, colocando o dinheiro em aplicações seguras, como depósitos a prazo ou até mantendo num depósito à ordem;

  • Investir é colocar o dinheiro a trabalhar, assumindo algum risco em troca de uma maior rentabilidade ao longo do tempo.

Dica extra: pergunte a quem já passou por isto

Se chegou até aqui e ainda tem dúvidas sobre o que fazer com o primeiro salário, vale a pena ouvir quem já esteve nesse lugar. Perguntar aos pais, familiares ou colegas mais velhos se teriam feito de forma diferente com os primeiros salários que receberam pode revelar lições valiosas.

Do que se arrependem? Teriam poupado ou investido mais cedo? Muitos, provavelmente, responderão que sim. Aprender com as experiências , e com os arrependimentos, de quem já viveu esse momento pode ser um excelente investimento para quem está a iniciar.

Construir bons hábitos financeiros

Este momento é a primeira oportunidade de fazer escolhas financeiras conscientes e começar a organizar, poupar e investir. É importante criar hábitos consistentes desde o início da vida profissional, cada decisão, por menor que pareça, contribui para um futuro mais confortável.

Porque o tempo passa depressa e quem começa cedo, dá ao futuro a maior das vantagens: o tempo a trabalhar a seu favor. Mas a questão que fica é: como vai usar o seu primeiro salário para construir o futuro financeiro?

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