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Envelhecimento Ativo no Alto Minho

O BPI conversou com o Centro Social Cultural e Recreativo, mais conhecido como CENSO, instituição distinguida com o Prémio BPI "la Caixa" Seniores.

Envelhecimento Ativo no Alto Minho | Banco BPI

Envelhecimento Ativo no Alto Minho | Banco BPI

O BPI conversou com o Centro Social Cultural e Recreativo, mais conhecido como CENSO, instituição distinguida com o Prémio BPI ?la Caixa? Seniores.

O BPI conversou com a equipa do Centro Social Cultural e Recreativo das freguesias de Messegães, Valadares e Sá, mais conhecido como CENSO, instituição distinguida com o Prémio BPI "la Caixa" Seniores 2019. A falar sobre a história, as respostas sociais e o projeto vencedor estiveram a diretora técnica da instituição, Sónia Durães, a terapeuta ocupacional, Maria João, a gerontóloga, Catarina Rodrigues, e o administrativo, Hugo Passos.

BPI: Qual a história por detrás do CENSO – Centro Social Cultural e Recreativo das freguesias de Messegães, Valadares e Sá?

Sónia Durães (SD): O CENSO - Centro Social, Cultural e Recreativo de Messegães, Valadares e Sá foi constituído em 1992 com o propósito de responder às necessidades da população destas três freguesias limítrofes e de dimensão reduzida. Na sua génese esteve um grupo de pais que se associaram para criar uma rede de transportes e de atividades culturais dirigidas aos alunos que frequentavam uma escola que servia as freguesias, de Messegães, Valadares e Sá. Em 1999, o CENSO tornou-se uma IPSS.

BPI: Como damos o salto das crianças para o Prémio Seniores?

SD: Neste momento, Monção é um dos concelhos do Alto Minho com índice de envelhecimento mais elevado. Daí a instituição ter crescido muito mais nas respostas sénior do que nas de infância, apesar de manter o ATL.

O CENSO oferece respostas tipificadas como lar, centro de dia, centro de convívio, universidade sénior e serviço de apoio no domicílio a mais de cem utentes. Temos também projetos de intervenção comunitária que correspondem à área geográfica dos concelhos de Melgaço e Monção.

Ou seja, à medida que foi evoluindo, o CENSO foi direcionando o seu foco para as necessidades sociais da comunidade que, hoje, são as da população sénior, mesmo de fora do seu concelho de origem que é Monção.

BPI: O projeto vencedor do Prémio BPI "la Caixa"Seniores é abrangente e inovador. Como descrevê-lo de forma breve?

SD: O Prémio BPI "la Caixa" Seniores permitir-nos-á equipar dois espaços físicos - o Espaço Memória para desenvolvimento e estimulação cognitiva e o Estúdio Movimento para o Pilates clínico e reabilitação – e uma viatura itinerante para intervenção no domicílio, com recurso a uma plataforma digital. O desenvolvimento do projeto prende-se com a globalidade do ser, que passa quer pela dimensão cognitiva, quer pela parte física, através do Pilates clínico e reabilitação, facilitado pela terapeuta ocupacional, a Maria João.

Maria João (MJ): O Estúdio de Movimento vai oferecer aulas de Pilates clínico adaptadas à população sénior. A parte cognitiva será estimulada no Espaço Memória, onde a plataforma digital será utilizada de uma forma mais individual.

BPI: Podem dar um exemplo de utilização da plataforma tecnológica?

MJ: Cada utente tem um cartão que será carregado com atividades que façam sentido para a sua vida diária. Por exemplo, um utente que goste de jogar sopa de letras ou de ouvir Amália Rodrigues poderá, da forma mais autónoma possível, encontrar estas atividades, com supervisão dos técnicos.

SD: É uma espécie de uma Wii adaptada à população sénior. Outra vantagem da plataforma é fornecer-nos o historial do utente. Vai dar-nos estatísticas da evolução, adequação, e se podemos, ou não, aumentar o grau de dificuldade das atividades.

BPI: Para além da intervenção domiciliária, qual o objetivo a atingir com a viatura itinerante?

Catarina Rodrigues (CR): Servimos utentes em territórios muito dispersos e bastante isolados e queremos trazê-los para a comunidade. Só a prestação da terapia ocupacional e do treino cognitivo no domicílio mantém a pessoa isolada do contexto social que a envolve. Ou seja, pretendemos também dinamizar atividades em vários locais da comunidade para levar as pessoas a encontrarem-se e a conviverem. Promover o envelhecimento ativo através de uma rotina de atividades, também na dimensão social.

BPI: Qual a vossa inspiração para este projeto?

CR: Na verdade, começámos há alguns anos. Em 2010, fizemos uma candidatura ao Alto Comissariado da Saúde que nos permitiu adquirir os primeiros jogos e equipamentos para dinamizarmos algumas atividades físicas e de treino cognitivo. Já naquela altura sentíamos que as respostas típicas de centro de dia não iam muito além da animação sociocultural e dos jogos de mesa. Queríamos dar uma resposta um bocadinho diferente, que se enquadrasse no que entendíamos ser o envelhecimento ativo.

O projeto hoje é uma evolução e um amadurecimento não só da própria equipa como das exigências que os utentes e a comunidade têm, muito diferentes de há dez anos quando, por exemplo, o nível de alfabetização era muito mais baixo.

Escolhemos adotar uma inovadora plataforma digital porque dois estudos de parcerias que desenvolvemos com universidades concluíram que os mais velhos gostam de atividades que saiam um bocadinho da rotina, como as novas tecnologias. Alguns avaliadores, de forma imparcial, ajudavam-nos no caminho a percorrer. A plataforma surgiu também com o incentivo dos filhos dos utentes que lhes dizem que gostam de os ver no facebook. Os mais velhos acham muita piada às selfies, a verem-se com filtros. E a família pode acompanhar o processo e a evolução.

BPI: Muitos parabéns pelo vosso trabalho. E agora cabe ao Hugo gerir bem o donativo


Hugo Passos: Pois claro que será bem gerido!

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