Nota Informativa

13 de Fevereiro de 2026
Caracterização do mercado imobiliário comercial (não residencial) em Portugal | nota informativa 13.02.2026

Os preços do imobiliário comercial têm seguido uma tendência sistemática de valorização semelhante ao residencial durante os últimos anos, embora numa magnitude consideravelmente inferior (var. média anual de 1,7% no IPPCom vs. 5,3% no IPH), visto que a pressão sobre a habitação é maior pela rigidez da procura (necessidade básica de um local para viver, o que faz com que os compradores estejam dispostos a pagar um preço superior ao que aconteceria em condições normais de mercado), enquanto que neste caso o objetivo é mais orientado para a criação de valor acrescentado e para a rentabilização de um negócio, caracterizado por uma maior flexibilidade e poder negocial por parte das empresas, que mais facilmente realocam as suas operações.

Os dados da Confidencial Imobiliário reforçam as perspetivas de valorização no imobiliário comercial. O índice de preços dos imóveis de serviços – IPIS – que reflete atividades em vários tipos de serviços como clínicas, ginásios, atividades administrativas, atividades tecnológicas, consultoria, etc.), aumenta sistematicamente desde 2021 e o índice de preços dos imóveis de retalho – IPIR – com foco no comércio, por exemplo lojas e centros comerciais, desde 2019.

A pressão ascendente nas rendas e nos preços das propriedades comerciais é justificada por vários fatores estruturais, nomeadamente no que toca à procura, como o crescimento sustentado do PIB, o ciclo de descida das taxas de juro desde 2024 pelo BCE (redução dos custos de financiamento, facilitando a tomada de crédito por parte das empresas não financeiras, cujo stock tem subido sistematicamente e cada vez mais rápido, segundo o Banco de Portugal), a continuação do dinamismo no turismo (aumento do nº de hóspedes e dormidas é mais brando devido aos efeitos de base da recuperação pós-pandemia, mas mantém-se numa trajetória ascendente e a renovar máximos históricos), a subida do rendimento das famílias por via da robustez do emprego e dos recentes efeitos one-off (descida das taxas de IRS com efeitos retroativos ao início de 2025 e complemento extraordinário às pensões mais baixas) e o impulso do consumo privado.