Os preços do imobiliário comercial têm seguido uma tendência sistemática de valorização semelhante ao residencial durante os últimos anos, embora numa magnitude consideravelmente inferior (var. média anual de 1,7% no IPPCom vs. 5,3% no IPH), visto que a pressão sobre a habitação é maior pela rigidez da procura (necessidade básica de um local para viver, o que faz com que os compradores estejam dispostos a pagar um preço superior ao que aconteceria em condições normais de mercado), enquanto que neste caso o objetivo é mais orientado para a criação de valor acrescentado e para a rentabilização de um negócio, caracterizado por uma maior flexibilidade e poder negocial por parte das empresas, que mais facilmente realocam as suas operações.
Os dados da Confidencial Imobiliário reforçam as perspetivas de valorização no imobiliário comercial. O índice de preços dos imóveis de serviços – IPIS – que reflete atividades em vários tipos de serviços como clínicas, ginásios, atividades administrativas, atividades tecnológicas, consultoria, etc.), aumenta sistematicamente desde 2021 e o índice de preços dos imóveis de retalho – IPIR – com foco no comércio, por exemplo lojas e centros comerciais, desde 2019.
A pressão ascendente nas rendas e nos preços das propriedades comerciais é justificada por vários fatores estruturais, nomeadamente no que toca à procura, como o crescimento sustentado do PIB, o ciclo de descida das taxas de juro desde 2024 pelo BCE (redução dos custos de financiamento, facilitando a tomada de crédito por parte das empresas não financeiras, cujo stock tem subido sistematicamente e cada vez mais rápido, segundo o Banco de Portugal), a continuação do dinamismo no turismo (aumento do nº de hóspedes e dormidas é mais brando devido aos efeitos de base da recuperação pós-pandemia, mas mantém-se numa trajetória ascendente e a renovar máximos históricos), a subida do rendimento das famílias por via da robustez do emprego e dos recentes efeitos one-off (descida das taxas de IRS com efeitos retroativos ao início de 2025 e complemento extraordinário às pensões mais baixas) e o impulso do consumo privado.