Nota Informativa

30 de Abril de 2026
BCE lança as cartas, sem se comprometer | nota breve 30.04.2026
  • O BCE manteve as taxas de juro (depo em 2,00%). A decisão foi unânime, embora a própria Presidente Lagarde tenha reconhecido que a possibilidade de aumentar as taxas já tenha sido discutida.
  • O BCE manteve uma comunicação equilibrada, destacando tanto os riscos positivos para a inflação como os riscos negativos para a atividade gerados pelo conflito no Médio Oriente. Recusou-se também a antecipar futuros aumentos de taxas, reiterando a tomada de decisões "reunião a reunião, à medida que os dados evoluem" e "sem se comprometer com futuros aumentos de taxas".
  • No entanto, Lagarde indicou que a Zona Euro está a afastar-se do cenário central, do qual se pode inferir que se aproxima do cenário "adverso" desenhado pelo BCE (embora Lagarde não quisesse tornar isso explícito). Neste cenário, o banco central aponta para uma inflação de 3,5% em 2026 e 2,1% em 2027 (e fá-lo sob a suposição [com base nas expectativas do mercado] de dois aumentos de taxas).
  • Finalmente, Lagarde acabou por dar pistas mais claras sobre um possível aumento das taxas em junho. Refletindo sobre a mudança de cenário, acrescentou que "sei a direção [da política monetária] que estamos a seguir, mas veremos", e reconheceu que as próximas semanas serão um bom momento para reavaliar a situação. Além disso, Lagarde descreveu os movimentos das perspetivas do mercado (que têm descontado entre um e três aumentos de taxas) como prova de que os mercados compreendem a função de reação do BCE.
  • Após a reunião, os mercados apontam para um aumento das taxas em junho (depo em 2,25% com probabilidade de 90%) e mais dois no resto do ano (depo terminaria o ano em 2,75%).